Durante o seu ministério público, Jesus aceitou com frequência convites de várias pessoas para comer em suas casas, mesmo as que a sociedade considerava pessoas de vida pouco exemplar. A atitude acolhedora de Jesus foi tal, que alguns hipócritas o chamavam de “comilão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores” (Lc 7,34).
Nesta ocasião, da liturgia de hoje, Jesus é recebido na casa de um dos principais fariseus e São Lucas escreve que muitos deles O observavam. Mas o que move Jesus é o anseio de salvar a todos, sem se importar com a opinião pública nem com o que poderiam dizer. Como diz São Cirilo, “embora o Senhor conhecesse a malícia dos fariseus, aceitava os seus convites para ser útil aos que estavam presentes, com as suas palavras e os seus milagres”.
Observando que os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus propôs uma parábola ambientada em um banquete nupcial. Inicialmente, tudo parece um simples conselho humano de etiqueta para ficar bem diante das pessoas. No entanto, a imagem esconde uma mensagem muito mais transcendente sobre a virtude da humildade, que fica condensada na famosa frase paradoxal: “Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado”.
A tradição da Igreja tem insistido muito no papel fundamental da virtude da humildade, de que Jesus fala na casa deste fariseu. Muitos Padres da Igreja concordam em definir essa virtude, como São Gregório: “Mãe e mestra de todas as virtudes”. Jesus dá a entender ao fariseu que não é fácil encontrar a atitude correta que devemos adotar, de acordo com a verdade sobre nós mesmos em cada situação. É fácil pensar que somos melhores do que na realidade somos. Por isso Jesus sugere que nos consideremos sempre inferiores ao que caberia esperar, que nos coloquemos “no último lugar”.
Na verdade, Jesus é aquele que soube colocar-se no último lugar e depois foi exaltado. Como explicou Bento XVI, “Esta parábola, tem um significado profundo, faz pensar também na posição do homem em relação a Deus. O ‘último lugar’ pode representar de fato a condição da humanidade degradada pelo pecado, condição da qual só a encarnação do Filho Unigênito a pode elevar. Por isto o próprio Cristo ‘ocupou o último lugar no mundo – a cruz – e, precisamente com esta humildade radical, nos redimiu e ajuda sem cessar.’
Jesus é aquele que se colocou de verdade no último lugar, o lugar do serviço aos outros e da entrega generosa até a cruz. Por isso, depois Ele foi exaltado à direita do Pai. Em certo sentido, o próprio Jesus ouviu o convite da parábola de hoje: ‘Amigo, vem mais para cima’. A virtude da humildade é, portanto, uma condição necessária para que Deus possa nos exaltar, porque “com passos de humildade é que subimos ao alto dos céus”, comenta Santo Agostinho.
Finalmente, Jesus sugere ao fariseu que viva a caridade com os outros, o que também é um sinal de humildade. É por isso que o Mestre incentiva o seu anfitrião a convidar para o banquete precisamente aqueles que seriam colocados no último lugar e não no primeiro, “os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos”, que não têm como corresponder. Esta atitude generosa, que dá importância e valor aos humildes, é recompensada e exaltada por Deus que, como Jesus disse “dará a recompensa na ressurreição dos justos”. Porque, como explica São João Crisóstomo, “se convidares o pobre, terás Deus, que nunca esquece, como devedor”. E então também ouviremos o convite do anfitrião: “Amigo, vem mais para cima”. Amém?
Para finalizar o programa de fé de hoje gostaria de dizer mais alguma coisa sobre ser catequista. Catequistas o Senhor precisa de vocês! Sua missão é insubstituível na transmissão e aprofundamento da fé, muitos são chamados, poucos são os escolhidos. Em virtude do ministério recebido, vocês participam de um projeto divino, da missão do próprio Jesus, do Salvador do mundo, do Filho de Deus. Mais do que nunca, frente a tantos desafios culturais, cabe-lhes despertar o entusiasmo pessoal de cada batizado em aprender a viver como Jesus Cristo viveu.
Ao recordar o martírio de São João Batista, o precursor que anunciou Jesus Cristo à humanidade, recordo uma de suas afirmações: “É preciso que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). O santo mártir deu a vida pelo que acreditava e amava. Meu querido ministro da catequese: seja fiel à missão recebida, isso também é vocação divina. Não é para ser melhor do que alguém, mas para servir mais e evoluir no chamamento. A graça de Deus não lhe faltará. A mãe de Jesus e de cada um de nós o acompanhará. Ao Senhor toda glória e louvor. Amém.
Direto dos Estúdios da TVJC – Pouso Alegre/MG
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